Polícia Federal quer medidas concretas para reduzir o golpe da saidinha de banco
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Em reunião ocorrida na manhã desta quinta-feira, dia 25, em Brasília, o novo coordenador-geral de Controle de Segurança Privada da Polícia Federal, delegado Clyton Eustáquio Xavier, abriu uma agenda de diálogo com representantes dos bancários, vigilantes, bancos e empresas de vigilância e transporte de valores. Ele defendeu o conceito de proteção à vida das pessoas e propôs construir um entendimento em torno de medidas concretas para reduzir o crime da "saidinha de banco", que está apavorando trabalhadores e clientes.

 Após duas horas de debates, não houve consensos, mas os bancos e as empresas de segurança ficaram de avaliar propostas de instalação de equipamentos de prevenção nas agências e postos de atendimento, como câmeras internas e externas com qualidade de imagens e monitoramento em tempo real, biombos entre a fila de espera e os caixas, divisórias entre os caixas eletrônicos e isenção de tarifas de transferência de recursos (TED, DOC, etc). Eles também ficaram de estudar o uso de arma não letal pelos vigilantes nos estabelecimentos.

Lucros permitem ampliar equipamentos de prevenção

"Esses equipamentos são muitos importantes para prevenir ações criminosas e garantir a privacidade e o sigilo das operações, especialmente os saques em dinheiro, evitando a observação de olheiros e impedindo que clientes sejam alvos e vítimas de assaltantes", afirma o secretário de imprensa e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária, Ademir Wiederkehr. "Esse crime inicia dentro das agências e postos de atendimento e, por isso, os bancos precisam fazer a sua parte, em vez de responsabilizar os clientes e a segurança pública", destaca.

Na reunião, a Fenaban concordou com os bancários e com a avaliação de um especialista em segurança de queuma ingenuidade" a proibição do uso do celular nos bancos. "Esse medida, apoiada pelos bancos e aprovada em alguns municípios sem o apoio dos bancários e vigilantes, não impede a visualização dos saques por olheiros e, por isso, é inócua e ainda viola o direito individual dos cidadãos que possuem celulares, hoje um bem essencial para a vida moderna", aponta Ademir.

19 mortes em "saidinha de banco" em 2011

A Contraf-CUT e a Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV) apresentaram os dados atualizados da pesquisa nacional de mortes em assaltos envolvendo bancos, realizada pelas entidades, com base em notícias da imprensa. Conforme o levantamento, ocorreram 28 assassinatos até o dia 24 de agosto deste ano em todo país, sendo 19 em "saidinha de banco".

Propostas dos bancários e vigilantes

A Contraf-CUT e a CNTV entregaram para a Polícia Federal um documento com propostas de combate à "saidinha de banco". Há medidas de melhoria na estrutura de segurança dos estabelecimentos, instalação de equipamentos para a privacidade das operações e novos procedimentos para eliminar riscos e trazer segurança.

Uma das propostas dos bancários e vigilantes é a instalação obrigatória da porta giratória de segurança em todas as agências e postos de serviços, em todos os acessos destinados ao público, incluindo a sala de autoatendimento. A porta virou um símbolo de segurança para trabalhadores e clientes nos bancos, assim como o aparelho de raio-X para os passageiros nos aeroportos. Outra proposta que os trabalhadores defenderam é o fim da triagem de clientes que ocorre no acesso à parte interna de muitas agências e postos para fins de depósito em dinheiro e saques. Essa medida traz riscos para a segurança dos clientes, que podem ser observados pelos olheiros de plantão, e ainda é discriminatória e excludente, na medida em que empurra pessoas de menor renda para os correspondentes bancários.

Avaliação

Mesmo sem a definição de medidas concretas, a iniciativa foi positiva, pois mostramos as preocupações e as expectativas dos bancários e vigilantes, diante da insegurança e da "saidinha de banco". Foi aberto mais um espaço para a construção de soluções e  continuar batendo em todas as portas da sociedade para combater os problemas de insegurança.

Participação

Além da Contraf-CUT e CNTV, participaram da reunião os representantes da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist), bem como outras entidades.


 

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